Era uma vezUma menina que ficava pensando no amor
E um garoto que sabia amar
Eles já haviam se olhado, canto de olho apenas
Com freqüência, ao acaso, passaram a se encontrar
Num canto ou em outro
Trocavam encantos, trocavam- se em cantos
Não se tocavam
Pouco se falavam
O que eles não sabiam é que muitas coisas tinham em comum
Ele peixes, ela quase isso
Ele um menestrel com seu charme e sua arte
Ela, uma cigana, com seu vice- versa dele
Ele um anjo iluminado da noite
Ela a lua
Estranhamente se completavam em suas fantasias, devaneios,
Loucuras comuns do dia-a-dia
Juntos em sonhos, já se conheciam
Passeavam pela boêmia noite dos olhos curiosos dos outros
Dançavam ébrios sobre as estrelas no ritmo de seus corações.
Com a serenidade de uma brisa
O sentimento que surgia parecia,
E com a intensidade de um vendaval
Sentiam a vontade de estar perto um do outro
Cantaram, e sem se tocar, tocaram
Verbalizaram a amizade.
Ligaram suas mentes, que antes já estavam em sintonia
Juntaram suas almas
E quando o mundo afora os tentou separar
Os opostos semelhantes uniram- se numa infindável força
Em prol do amor
Confiantes no sábio tempo.
Hoje, corpos longe ou perto, corações inevitavelmente juntos
Eles vivem felizes para sempre o hoje,
E como diria Oswaldo: "Sempre não é todo dia."
De qualquer forma ele sente saudades dela perto
e ela sente saudades da sua companhia.
E a história continua, se fazendo aos poucos
Porque o amor é sem fim.